Por que participar do NECITRA?

Em tempo de começos e recomeços, reescrevo o já dito. Reafirmo as certezas entre as incertezas. Em tempo de retomada das atividades e de audição, a pergunta que se repete:

Por que participar do NECITRA?Mosaico Desdobramentos

A resposta, do meu ponto de vista, só pode ser: Porque você deseja!

E embora pareça uma questão simples, e até óbvia, ela é carregada de significados e significância.

Sendo o desejo movido por um objeto, imagem, lugar, ou estado no qual queira se encontrar, possuir, ou estar, é importante analisar do que é constituído este “outro”– sem isso, corremos o risco de projetar neste desejos internos e, no futuro, não tendo essas expectativas sido correspondidas, brochar. Contudo, eis que são esses desejos internos que podem, e devem, ser projetados no NECITRA. Desde que conscientes de si, e comprometidos em sua autonomia e responsabilidade perante as ações que vão dar corpo a essas vontades… O núcleo busca se constituir como um espaço instrumentalizado para possibilitar movimentos que surjam a partir desses desejos… Nesse sentido gostaria de delinear do que tem se constituído o NECITRA, e como tem se dado esse agenciamento de desejos:

1º Ele não é, está sendo.

O NECITRA é fruto das pessoas que aqui estão, das suas produções e das demandas que emergem do coletivo, para as quais são definidos procedimentos e funções a serem cumpridas por seus integrantes. Com isso, se mantém uma estrutura adequada a esses desejos e movimentos que constituem esse espaço: projetos em estudos, produções, criações, e outros.

2º Para resumir, o NECITRA é um espaço/coletivo/grupo projetado como uma plataforma, onde os artistas podem se aprimorar e desenvolver seus próprios trabalhos – quer seja como ator, bailarino, circense, performer, diretor, videomaker, etc. Para isso podem se amparar nos colegas em trocas, orientações e participações em projetos coletivos. A Canto – Cultura e Arte é a empresa que trata da administração contábil e jurídica do NECITRA, participando direta e indiretamente da sua gestão. O núcleo, através de seus integrantes, ocupa vários espaços com ações artísticas e educativas.

3º Você, como um ser desejante, deve ter definido os porquês de ter se tornado um artista/educador. Sabe, portanto, os motivos de querer criar, ensinar, aprender, apresentar. Concluo, então, que precisa estar disposto (e organizado) para essas trocas e compartilhamentos. Somos um coletivo onde impera a diversidade em processos contínuos. Nesse andar, utilizamos de reuniões regulares que buscam manter a coesão desta estrutura, sempre objetivando solucionar as questões atualizando os processos, trazendo questões específicas no intuito de aprimorar o todo. Quando o indivíduo se fortalece, o coletivo também. Quando o coletivo se fortalece, o indivíduo também.

Particularmente, acredito que os processos sociais nos quais estamos inseridos (família, escola, participações na esfera pública, política) não estimulam a autonomia, e promovem poucos espaços potentes para o protagonismo, para o ativismo. O NECITRA é um espaço/grupo que busca potencializar a potência já existente em cada um. Oferece ferramentas para isso. Nos oferecemos, uns aos outros, como suporte para o andar de cada um. Andamos todos.

Não se trata exatamente do seu objetivo em participar do grupo e sim da sua postura: de ser atuante, de estar disposto.

Que o desejo presente em cada um se expresse em movimento, mesmo que não orientado em direção específica. Eventualmente, entre tantas possibilidades, encontramos o nosso caminho – ou caminhos.

NECITRA como lugar de possibilidades.

Nenhum vento é favorável para quem não sabe onde quer chegar. Mas ficar à deriva também tem seu valor. Cada valor a seu tempo.

Voltando a ativa – Mistureba

Início de semana, e nada melhor do que já começar a pensar no que fazer no próximo finde?

Então se liga que o Mistureba está de volta, os ensaios já estão a mil. Estamos com tudo pronto, retomamos cada partezinha dessa proposta e tentamos ao máximo deixar o espetáculo ainda mais divertido. Nos reunimos há mais de um mês para  revisitar esse processo; botando os corpos para se mexer; as cabeças para funcionar; a mão na massa limpando e ajustando os nossos materiais cênicos; e principalmente fazendo vários jogos para deixar os queridos Gabriel Martins, Ramon Ortiz e Ana Bernarecki cada vez mais afiados em cena. Então fica ligado na divulgação do Necitra, porque neste final de semana estamos de volta com MIS-TU-RE-BAHHH!!!!!

Ensaio Mistureba

Foto do último ensaio

Então fica esperto!!!!

Mistureba no Projeto Noites de Circo da Secretária Municipal de Cultura de Porto Alegre

Sinopse:
Mistureba parte das técnicas, memórias corporais e personalidade de cada artista que, sob a presença de novos elementos (caixa e bambu) e as experimentações propostas pelo diretor, se misturam nesta coisareba, uma misturada. Entre uma cena e outra os artistas transitam entre estados corporais, ritmos musicais, contextos e conflitos diferentes, amparados no circo, mas transitando também pela dança, pelo teatro e pela música – numa busca pela transversalidade, mote de trabalho do NECITRA.

Ficha técnica:
Direção: Diego Esteves

Interpretação:
Ana Bernarecki
Gabriel Martins
Ramon Ortiz

Cenografia: Felippo Cauc
Figurino: o grupo
Ensaidora: Paola Vasconcelos

Operação de luz: Fernanda Boff
Operação de som: Paola Vasconcelos

+INFOS:
necitra.com – canto.art.br
facebook.com/NECITRACANTO

O evento no face da temporada: https://www.facebook.com/events/1440717706216502/?fref=ts

Apoio cultural

Para esta quinta edição do Desdobramentos, contamos com o apoio cultural do Canal Você, que circula pelos ônibus da Carris e no Trensurb aqui em Porto Alegre.

Fique atento à telinha quando estiver usando um desses meios de transporte e não perca o evento-espetáculo que acontece no próximo final de semana!

5° DESDOBRAMENTOS 
07 e 08 de junho, 19h
Casa Cultural Tony Petzhold
R$20 e R$10

 

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Diálogos Constantes entre CORPOS/OBJETOS

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Como falar de um grão de areia no meio do deserto? É assim que me encontro ao tentar expor o processo que venho desenvolvendo este ano no Necitra. Acho importante situar que, desde final de 2012, ao conhecer o malabarista/bailarino Gabriel Martins (também integrante do Núcleo e hoje em dia meu principal colaborador) venho buscando pensar a relação entre os corpos e os objetos. Pensando nesse encontro através de uma perspectiva de diálogo entre corpos, nos quais não existiriam sobreposições de poderes entre um corpo ou outro. Essa ideia vem permeando meu trabalho artístico algum tempo, seja na minha proposta de pensar e dançar o tango e agora esse viés tomou conta desse meu diálogo com os objetos.

Dessa forma, me propus a revistar o meu primeiro experimento que surgiu dessa minha perspectiva de corpos e objetos. Inicialmente esse trabalho nasceu com o videodança “Experimento Corpobolados” (2012) e logo em seguida eu e o Gabriel adaptamos e reconstruímos essa proposta para cena, a qual foi apresentada na Mostra de Dança Verão, organizada pelo Centro Municipal de Dança em 2013. Para tanto, tinha muita vontade de adentrar e repensar essa proposta, que surgiu como estopim para eu pensar esse encontro com os objetos e ficou adormecida até o início desse ano. Não sei, o que irá ressurgir dessa revisita a algo do passado a essas memórias antigas. Acredito cada vez mais que essa volta ao produto que já foi construído, ao invés de propor um aprimoramento na cena que já existia, irá me redirecionar para um outro lugar. Fato que já vem acontecendo nesse momento nos ensaios…

Bom para aguçar a curiosidade vou deixar os vídeos dos trabalhos os quais citei no texto:

E duas referências atuais:

Esse espetáculo foi visto recentemente pelo meu colaborador Gabriel Martins e tem suscitado propostas de exercícios e experimentações nos nossos ensaios.

E claro, não poderia faltar esse trabalho do malabarista Stefan Sing e da bailarina Criastiana Casadio, uma das primeiras referências de um trabalho que fosse parecido com o que desejávamos fazer.

Foto de ensaio minha e do Gabriel Martins (2013). Falta agora adicionar uma foto dos nossos momentos de ensaio atual, vou providenciar…

 

 

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Quer Viajar Comigo?

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Desde março deste ano estou realizando uma residência artística no NECITRA e gostaria de compartilhar minhas descobertas e impressões acerca do andamento do processo até aqui, de modo a dar continuidade a minha pesquisa acerca de diferentes usos das novas tecnologias na cena contemporânea. Ora, as novas mídias foram assunto de meu mestrado no PPGAC -UFRGS e de buscas que realizei como artista e também como professora, e incluem atividades criativas em diferentes salas de ensaio, tanto do Núcleo Constantin, grupo que fundei em 2008, como das salas de ensaio de minhas turmas em Caxias, da Cia do Carvão de Arroio dos Ratos, bem como dos alunos que orientei na UFRGS e de minhas turmas de alunos regulares no ano de 2013 em que atuei como professora-substituta no Departamento de Arte Dramática da UFRGS. Minha  pesquisa iniciou-se pelo interesse na mídia audiovisual, mas neste momento, tenho me voltado  pelo trabalho com a mídia sonora, pois entendo que ainda há muito que se explorar neste campo específico.

Também é importante registrar que desde que me retirei voluntariamente do circuito tradicional das artes cênicas em Porto Alegre, sem ter que montar espetáculos voltados para um resultado de produção imediato, pude pesquisar com mais liberdade. Depois de trabalhar por trinta anos nas artes cênicas, resolvi que quero ir além do que aprendi e por isso, estou as voltas com o que não sei e nunca fiz: um trabalho com não-atores usando como interface players de mídia sonora que sugerem aos participantes realizarem certas tarefas, enquanto se deslocam pelo espaço formado por recantos que chamei de Estações. Zapping- Instantâneos do Corpo, é um espetáculo que pode ser entendido como uma instalação e participa do Desdobramentos em 07 e 08 de Junho/2014 e se dá numa sala onde o público vai receber fones e algumas indicações que ao serem realizadas, constituem o espetáculo em si. A montagem tem como principal referência o trabalho de Stefan Kaeggi do grupo alemão Rimini Protokoll

http://www.rimini-protokoll.de/website/en/about_sk.html
Este grupo trabalha com não-atores em espaços não-teatrais como shopping-centers, ruas, avenidas, praças, museus, sem que se reserve um espaço para o acontecimento teatral. A ação das encenações de Kaeggi se dá inclusive pela participação dos próprios frequentadores destes locais , e por meio de uma bem traçado roteiro de ações, faz conviver realidade e ficção, sem que os presentes saibam   ao certo o que está sendo encenado e o que é a força da vida real em seu implacável cotidiano.
Por ser para mim uma experiência nova, considero que é uma empreitada de coragem construir Zapping- Instantâneos do Corpo, pois não ensaio com os atores como sempre fiz ao longo de minha carreira de artista-criadora em teatro. Dessa maneira, fico escrevendo e reescrevendo roteiros de ações, juntando trilhas sonoras, tentando prever que isto ou aquilo poderá acontecer com a “plateia-artista”. Mas o espaço para o imprevisto, o impensado, o imponderável está lá, e tem seu lugar garantido, e esta é minha única certeza. De sorte que conto com a participação de Nayara Brito, artista do NECITRA que carinhosamente topou meu convite e divide comigo a autoria deste roteiro maluco para nossos convidados viajarem.

De modo que, ao aceitarem o percurso por entre as estações, nossos participantes convidados se tornam cúmplices ou testemunhas de uma jornada que marca também minha participação no NECITRA – casa nova, nova proposta, e um arrepio bom. Fico ansiosa por saber quem serão nossos atores, elenco surpresa que será formado pela plateia que lá estiver: público do NECITRA, amigos, colegas e tanta gente mais. De fato, estou me preparando para algo que só acontecerá se as pessoas atenderem a meu apelo e aparecerem por lá. Portanto, esta postagem é também um convite para o novo, o novo para mim e para aqueles que aceitarem desempenhar o papel de meus cúmplices ou minhas testemunhas, mas acima de tudo, meus companheiros durante esta viagem. Em breve mais notícias dessa jornada.

Work in progress

Confira aqui como está ficando o mais novo experimento cênico do duo de Carol Mendes & Ramon Ortiz.

O projeto pretende levar a reflexão sobre a convivência dentro de uma relação, sobre o desejo de estar unido, sobre a própria incapacidade de não estar, sobre a ideia de possuir e ser possuído.Em caráter coreográfico o trabalho almeja compor junto de outros projetos e desenvolvimento um espetáculo do duo.Essa cena contrasta com o projeto apresentado anteriormente no sentido em que o contexto remete a um ambiente mais caseiro ou sala de ensaio enquanto que o “Inquietações” têm uma aura bem urbana e de rua.

Lista de selecionados

 

Agradecemos a todos e todas que participaram desse importante momento do núcleo! Abaixo, confira a listagem, por ordem alfabética, dos selecionados para participar da residência e criação da 5ª edição do projeto Desdobramentos:

 

Andressa Bittencourt

Braulio Lopez

Iassanã Martins

Jaqueline Pinzon

Julia Ludke

Juliana Werner

Karine Rico

Lidiane Santiago

 

Sejam bem-vind@s!

Audição 2014 – resultado 1ª fase

Abaixo segue a lista dos selecionados na 1ª fase (análise de carta de intenção e currículo), em ordem de participação na 2ª fase (apresentação e entrevista):

Terça-feira, dia 18 de março

14h30m Thaiane Estauber

15h Braulio Lopez

15h30m Karine Rico

16h Ananda Denardi

16h30m Andressa Bittencourt

17h Lidiane Santiago

17h30m Juliana Werner

Quinta-feira, dia 20 de março

14h30m Pedro Sitta

15h Iassanã Martins

15h30m Julia Ludke

16h Jaqueline Pinzon

16h30m Mariano Rocco

Observações:

Chegar com antecedência de 30 minutos.

A audição se dará através de uma apresentação seguida de entrevista.

Local da audição: Casa Cultural Tony Petzhold – Av. Cristovão Colombo, 400. Bairro Floresta. Porto Alegre -RS.

Resultado até o dia 23 de março.

Agradecemos a tod@s que se inscreveram para a audição!

Audição 2014

Do processo

1ª fase: inscrição por email – até dia 14 de março.   Lista dos selecionados para a audição: dia 16 de março.

Audição_20142ª fase: audição nos dias 18 e 20 de março, das 14 às 18 horas, na Casa Cultural Tony Petzhold – Av. Cristovão Colombo, 400. Floresta. Porto Alegre, RS. Resultado: até dia 23 de março.

3ª fase: residência em processo de criação da 5ª edição do Desdobramentos. Início dos encontros: 25 de março.

Esta residência servirá como um período de trocas entre os artistas num processo colaborativo de criação, compartilhamento das pesquisas individuais e gestão conjunta do evento Desdobramentos. Após a finalização deste primeiro momento, teremos a definição dos artistas que se adaptaram aos procedimentos de trabalho do núcleo e passarão a compor este coletivo.

Da inscrição e processo de seleção

Inscrição pelo e-mail necitra@canto.art.br (até o dia 14 de março) com currículo e carta de intenção, materiais adicionais como fotos e/ou vídeos são opcionais.
A audição será composta de uma entrevista e uma apresentação, de no máximo 5 min, de qualquer tipo – uma cena, um improviso, demonstração de habilidades, uma história…

Critérios para a participação:

– ter interesse nas propostas e procedimentos de trabalho do núcleo.

– ter disponibilidade para os encontros nas terças e quintas, das 14 às 18 horas e nas segundas, das 19 às 22 horas.

Da participação

– espaço de treino e criação junto a Casa Cultural Tony Petzhold.

– possibilidade de aprender novas técnicas com os integrantes do núcleo.

– possibilidade de criar novos trabalhas sob direção, coreografia e/ou orientação de integrantes do núcleo, bem como de dividir a cena, ou dirigir, coreografar, orientar…

– possibilidade de participar de novos espetáculos e de eventos realizados pelo NECITRA e pela Canto – Cultura e Arte, empresa da qual o núcleo faz parte.

– possibilidade de compor o elenco dos espetáculos já existentes, no caso de substituição ou nova formação.

– possibilidade de ser bolsista nos cursos e oficinas ministrados pelos integrantes do núcleo.

– possibilidade de participar de cursos e oficinas organizados pela Canto, NECITRA e Casa Cultural Tony Petzhold.

Sobre o NECITRA

O núcleo está completando cinco anos. Um espaço para pesquisar, estudar, experimentar, criar. É um espaço para trocar, compartilhar. É um espaço de autonomia das singularidades, amparadas por procedimentos definidos coletivamente. É um espaço de trabalho. É um espaço de discussão, de debate, de organização, de mobilização. Acima de tudo, é um lugar que pretende potencializar as individualidades, e com isso, potencializar o todo que, como todos os todos, é feito de partes. Nesse sentido, a diversidade é um princípio. Não estamos tão interessados numa identidade, mas na multiplicidade. Aliás, é importante falar da transversalidade:

“Transversalidade: possibilidade do trânsito não hierárquico do conhecimento, encontro de técnicas, criações híbridas e conscientes. Então: circo, dança, teatro, música, poesia, filosofia, crítica, fotografia, vídeo-circo-dança e outros. Registro-obras: textos, fotos, vídeos, espetáculos e performances. Ensinar, aprender, trocar: oficinas, rede.”

Transite por esse blog para saber mais sobre o núcleo.

Seguem nossos canais no youtube:

www.youtube.com/channel/UC-bgas6KgVgQxIkI6HxrZwA

www.youtube.com/channel/UCk-yt4-nf_194y8Ws1fNEjQ

Estamos ampliando o núcleo no sentido de contemplar mais pessoas interessadas em manter treinos e pesquisas de forma continuada. Pessoas que queiram compartilhar, ensinar, aprender. Nesse sentido, é importante a disposição para o diálogo e o interesse em ouvir (e ler), tanto quanto falar. Também por isso, se você leu este texto até aqui escreva no e-mail de inscrição “eu li o texto até o final!”.  😉

Até!